Pense duas vezes antes de minimizar Penso, logo insisto <$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Reflexões natalinas




Vez ou outra tenho uma dúvida pré-existencial sobre a escolha de estar passando pela experiência de existir ou ficar ali mesmo, parado, no silêncio. Fazendo parte de algo disperso, livre, ilimitado e sem consciência individual e temporalizada.

Mas aí penso na música (normalmente algo do Ramones ou na Sonata Nº 8 “Patética” de Ludwig Van), na reprodução genética perfeita que perpetuei com minhas duas princesas, nas inúmeras relações que se cria com milhares de pessoas todos os dias e interiormente com seus zilhões de “botões”, na beleza (i)limitada concedida através das combinações de nossos cincos sentidos.

Penso também em quão angustiante é relacionar com seres feitos do mesmo punhado de matéria, com ligações nervosas semelhantes, com o poder mais que interessante da linguagem, e mesmo assim não ser compreendido, passando muitas vezes longe disso, alimentando e sendo alimentado de sensações abstratas como paixões, rancores, medos, felicidade ou mágoas e achar que no meio disso tudo, após uma longa jornada hei de encontrar a mais singela e pueril das sensações, a lendária e cinematográfica arte de amar.

Volto ao meu nada, à cadência cosmológica do infinito, do não-sentir, onde deveria pairar a Vontade. Então caio na real, existo e não há mais como evitar. Não seria então todo esse turbilhão de sensações boas, más, péssimas e envolventes que trarão um dia a maior de todas as existências: a do calar-se porque basta.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?